Diretor do Théâtre Garonne em Toulouse, Aurélien Bory ocupa um lugar singular na cena da dança francesa, com um estilo cenográfico reconhecível entre todos os outros — um legado, sem dúvida, de uma vida anterior dedicada à acústica arquitetônica. Cada uma de suas criações explora e coloca em jogo o espaço do palco; em janeiro passado, lançou em Toulouse o primeiro festival francês inteiramente dedicado à cenografia. Sua obra mais recente, criada para o Festival Montpellier Danse, nasceu do seu encontro com o guitarrista de renome mundial Thibaut Garcia. Conhecedor apaixonado de John Dowland (séculos XVI-XVII), Garcia o orientou em direção a Seaven teares, uma obra para alaúde e voz que ele já havia interpretado com o contratenor Philippe Jaroussky.
No palco, o músico compartilha o espaço com a bailarina Aure Wachter — uma performer com Rachid Ouramdane e Jann Gallois, e cantora com Les Cris de Paris. Seu dueto assume a forma de uma pavana, aquele "passeio para dois," e aposta que "a música é dança, a dança é música": um jogo de "corpos-instrumentos" em que um canta enquanto o outro dança, sob um pano de fundo de melancolia. Uma questão permanece: como dar forma às lágrimas em um palco? Aurélien Bory responde com uma obra em que "elementos líquidos" fluirão, mas que será acima de tudo a incorporação daquela música triste que nos faz bem — a melancolia entendida como uma abertura à devaneio.