A Grotte des Demoiselles é a história de uma jornada ao centro da terra — que começa, de forma apropriada, com uma subida espantosa. Os visitantes sobem cerca de 54 metros a bordo do primeiro funicular subterrâneo turístico já construído na Europa, criado quando a gruta abriu ao público em 1931 e modernizado várias vezes desde então, mantendo todo o seu encanto de época. Poupando-lhe 300 degraus (que ainda pode descer no caminho de volta, se desejar), oferece um prelúdio espetacular: alguns minutos ao longo de 160 metros de túnel com um declive de 36%, exatamente o suficiente para preparar a mente para a aventura subterrânea que se segue. A meio do caminho, uma reprodução em tamanho real do urso das cavernas Ursus Spelaeus — descoberto na rede superior da gruta durante os primeiros trabalhos em 1929 — surpreende-o pela esquerda, antes do mecanismo elétrico se revelar numa cabine de vidro no final da jornada.
Muito antes do funicular, a única forma de entrar era pelo Aven — o poço natural que serviu como primeira câmara de exploração, aberto para o planalto de Thaurac. Inúmeros vestígios arqueológicos mostram que era conhecido e percorrido desde tempos imemoriais: os primeiros humanos de Languedoc, o lendário Petit Jean, fora-da-lei das muitas guerras e revoluções de França, e exploradores intrépidos passaram por aqui, enfrentando o seu medo do misterioso mundo subterrâneo — e muito antes de qualquer humano se aventurar, muitos animais fizeram dele seu abrigo. Visitar a Grotte des Demoiselles é caminhar nos seus passos.
O coração de tudo é a catedral. As suas emoções falam primeiro quando entra no fantástico salão de Notre-Dame-des-Demoiselles, assim chamado porque apenas uma catedral poderia igualar a sua grandiosidade: um teto de 50 metros, 48 metros de largura, 120 metros de comprimento — as dimensões de Notre-Dame de Paris, situadas 70 metros sob terra. A acústica está à altura da escala, e concertos ainda são realizados aqui, como as missas da meia-noite costumavam ser no Natal. Por toda a parte, imensos tubos de órgão, draparias gigantescas e uma parede de mil colunas esculpidas gota a gota ao longo de milhões de anos atraem o olhar de uma só vez, e a multidão de formas — gárgulas inquietantes, donzelas dançantes, figurinhas de bom caráter — cada uma conta uma história que levará consigo. No seu centro encontra-se uma das estalagmites mais famosas na história da geologia, uma concreção única no mundo: a imaculada estátua de calcite conhecida como a "Virgem e Criança".
A gruta é uma jornada através de três escalas de tempo. Começou há cerca de 200 milhões de anos, quando os restos de corais e organismos marinhos num mar quente e raso formaram os calcários do planalto de Thaurac; a cavidade foi posteriormente escavada pelas águas que subem das profundezas, e as concreções começaram a formar-se há menos de um milhão de anos, depois de um lago subterrâneo desaparecer — um processo que continua hoje, responsável pelo topo branco brilhante da Virgem e Criança. Depois vieram os séculos humanos. Um refúgio desde os primórdios da humanidade — para os camisards cévenóis durante as guerras de religião e para padres refratários durante a Revolução — a gruta atraiu seus primeiros exploradores científicos no século XVIII: Benoît-Joseph Marsollier des Vivetières, que descreveu a catedral em 1780, e o ilustre espeleólogo Édouard-Alfred Martel, que primeiro atingiu o chão da gruta a 90 metros de profundidade em 1897, usando até um balão de ar quente para medir a altura do grande salão. Nessa época uma visita era tão desportiva como perigosa, durando mais de 14 horas.
E então existe a lenda que dá o nome ao lugar. Há muito tempo, um jovem pastor chamado Petit Jean, procurando uma ovelha perdida, escorregou na escuridão da gruta e caiu no que parecia um palácio do abismo — um salão imenso de mil colunas brilhantes em torno do qual uma multidão de fadas dançava. Desmaiou diante da visão e acordou lá fora no planalto entre seu rebanho, sua ovelha recuperada. Quem o tinha levado de volta? Sua história espalhou-se pela região, e as pessoas começaram a chamar o lugar de "Bauma de las fadas, de las damaïselas" — em Occitano, a gruta das fadas, ou as Demoiselles. Mesmo agora que a gruta revelou tantos dos seus segredos geológicos, não conseguirá deixar de procurar essas famosas fadas nas formas de calcite.
Suba a bordo do funicular, então, e tome seu lugar nesta aventura prodigiosa — uma verdadeira maravilha do mundo subterrâneo, onde cada visitante se torna um novo explorador, no coração do Hérault. Seja o próximo.